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Quando a avó cuida das crianças: combinação sem confusão

Portrait of Priya Nair, who writes about aging parents, pets and family life for Be CloserPriya Nair 8 min de leitura

O cuidado dos avós funciona bem com um bilhete curto de passagem de bastão, cobrindo alergias, horário de soneca e regras de tela, e com espaço para a avó fazer as coisas do jeito dela. Um mapa compartilhado da família e uma ficha de emergência na geladeira resolvem a logística. O mais importante continua sendo lembrar que isso é um presente, não mão de obra de graça.

Tem farinha na bochecha da minha mãe, meu caçula está em pé em um banquinho onde tecnicamente ele não deveria estar, e as duas crianças estão comendo massa crua de biscoito direto da colher às onze da manhã, três horas antes do almoço. Se eu tivesse entrado sem saber, talvez tivesse me assustado. Em vez disso fiquei parada na porta olhando, porque é assim que é quando a minha mãe cuida das crianças, e funciona, mesmo que quase nada ali seja do jeito que eu faria.

Ter os avós por perto é um dos grandes presentes silenciosos da vida em família no Brasil, e também uma das combinações mais delicadas. Você entrega seus filhos para alguém em quem confia inteiramente e que também criou você com outras regras, em outra década, com outra ideia de risco e de rotina.

Aqui está o que deu certo na nossa casa, inclusive as partes em que eu tive que soltar coisas que no começo pareciam muito importantes.

O que precisa mesmo estar no bilhete de passagem de bastão?

Curto. Um papel na geladeira, não um manual. Qualquer coisa maior que meia página é recebida com educação e nunca mais olhada, e com razão.

O bilhete, meia página

  • Alergias e intolerâncias, em letra grande, com o que fazer se acontecer.
  • Remédios: qual, que horas, quanto e onde está guardado.
  • Hora de dormir e da soneca, com uma faixa de horário realista.
  • Tela como limite aproximado, não como cronômetro.
  • Quem pode buscar hoje, e quem não pode de jeito nenhum.
  • Dois telefones e o número do pediatra ou do plano.

Todo o resto é preferência, não segurança, e preferência dá para abrir mão. Essa separação é a frase mais importante deste texto: segurança não se negocia, estilo sim.

Por que a avó foge das regras, e por que quase sempre tudo bem?

Porque ela não é a mãe. Isso não é falha do sistema, é o sentido da coisa. Avó tem outra função, não precisa segurar a estrutura o ano inteiro, e as crianças ganham bastante com ter um lugar onde as regras são outras e mesmo assim tudo é seguro.

Além disso, boa parte do que parece transgressão é só a criação de outra época: brincar na rua do condomínio sem alguém olhando pela janela, doce como parte natural da tarde, mais confiança diante de pequenos riscos. Muitas dessas coisas são exatamente a infância que a gente teve, e a gente sobreviveu bem.

Onde dá para ceder tranquilamente

  • Sorvete antes do jantar, de vez em quando.
  • Dormir meia hora mais tarde, quando o dia seguinte permite.
  • Desenho na TV que em casa vocês não deixam.
  • Roupa suja, joelho ralado e banho fora do horário.
  • Comer em outro horário, outra quantidade, outra ordem.

Onde precisa de clareza

  • Alergias e remédios, sem exceção.
  • Cadeirinha e cinto no carro, sem exceção.
  • Piscina, rua e bicicleta sem capacete, pelas regras de vocês.
  • Quem pode buscar a criança, combinado por escrito.
Em algum momento parei de ver a tarde na casa da minha mãe como uma versão pior da minha. É outra versão, e faz bem para as crianças.

Como o mapa da família ajuda nas buscas e na logística?

O dia a dia raramente trava por questão de educação e quase sempre trava por logística. Quem busca hoje, a perua escolar já passou, a avó ainda está no trânsito, a consulta era duas e meia ou três. É esse detalhe miúdo que consome a paciência, e é aí que um mapa compartilhado ajuda, desde que todo mundo tenha concordado.

  1. 1Monte um círculo pequeno, só com quem realmente cuida das crianças.
  2. 2Salve os três lugares que importam: casa, escola e a casa da avó.
  3. 3Ative aviso de chegada nesses lugares em vez de ficar abrindo o aplicativo.
  4. 4Combine que todos os adultos se veem, não só as crianças.
  5. 5Mostre para a avó com calma como ela mesma desliga, isso faz parte do consentimento.

O ganho é bem prático: quando chega o aviso de que as crianças chegaram na casa da avó, ninguém mais precisa escrever chegaram? no grupo do WhatsApp. Para as crianças, um aparelho usado no corpo como a Be Closer Band costuma fazer mais sentido que um celular próprio nessa idade. O Be Closer é gratuito para baixar, está em 13 idiomas, tem 4,4 estrelas com mais de 150.000 avaliações na App Store e no Google Play e localização com até 95% de precisão.

Quando quem busca muda com frequência, vale ter também uma palavra combinada em família, como está em palavra código da família para buscas mais seguras.

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O que deve estar na ficha de emergência da geladeira da avó?

Uma ficha plastificada, bem visível, para que qualquer pessoa encontre, mesmo quem não conhece a casa. São dez minutos de trabalho que valem muito em uma hora ruim.

CampoConteúdo
CriançasNome completo e data de nascimento
SaúdeAlergias, diagnósticos, remédios de emergência e onde ficam guardados
Plano de saúdeOperadora, número da carteirinha e cópia do cartão junto
PediatraNome, telefone e endereço, mais o pronto socorro infantil mais próximo
PaisDois celulares e o telefone do trabalho
EmergênciaSAMU 192 e Bombeiros 193, com o endereço completo da casa escrito por extenso
AutorizaçãoBilhete assinado autorizando atendimento médico de emergência

O endereço escrito por extenso importa mesmo, inclusive bloco e apartamento se for condomínio. Ninguém deveria precisar lembrar disso sob pressão, e a criança pode ler em voz alta se precisar. Como treinar isso com elas está em ensinar endereço e telefone para os filhos.

Como lembrar que isso é um presente e não obrigação?

É aqui que a família mais tropeça, porque ajuda constante vira expectativa em silêncio. Duas tardes por semana durante dois anos deixam de parecer favor e viram rotina esperada, e a gente costuma perceber isso só quando alguém já está exausto.

  • Pergunte toda vez, nem que seja por formalidade. Dá para quinta é diferente de você fica com eles quinta.
  • Aceite o não sem insistir. Um não que sai caro deixa de ser dito na próxima vez.
  • Calcule o cansaço de verdade. Duas crianças por cinco horas cansam aos setenta anos, por mais amor que exista.
  • Agradeça de forma concreta. Obrigada por ontem, sem você a semana não fechava, vale mais que um a gente é tão grata genérico.
  • Devolva algo que não seja dinheiro. Uma carona, uma consulta acompanhada, um domingo junto sem ninguém para cuidar.
  • Uma vez por ano, pergunte de verdade. O ritmo ainda está bom ou já virou demais.

E depois disso, deixe a tarde ser deles. A massa crua de biscoito às onze da manhã não é uma regra quebrada para corrigir. É bem exatamente para isso que servem as avós, e daqui a alguns anos vai ser essa a lembrança que fica.

As perguntas que

Portrait of Priya Nair, who writes about aging parents, pets and family life for Be Closer
Priya Nair
Aging Parents, Pets & Family Life

Priya writes about the family members we care for at every age, parents living alone, dogs that bolt at squirrels, and the quiet worry in between. She writes the way she checks in: gently, and always dignity first.

Our guides are written by Be Closer's editorial voices and reviewed by the team behind the app. Questions? support@becloser.com

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