Be Closer
Todos os guiasMãe e filho pré-adolescente sentados no sofá sorrindo juntos para um celularKids & Teens

O primeiro grupo da turma no WhatsApp: um guia para os pais

Portrait of Marta Osei, who writes the Kids & Teens guides for Be CloserMarta Osei 10 min de leitura

O grupo da turma é o primeiro espaço social sem supervisão do seu filho, então trate como uma habilidade para orientar, não como uma ameaça para bloquear. Ensine três regras antes de tudo: nunca escrever o que não diria na cara da pessoa, nunca postar foto de outra criança sem perguntar e silenciar em vez de sair fazendo cena. Desligue as notificações à noite, combine o que seu filho traz para você e só entre pessoalmente quando algo for repetido, direcionado ou sério.

Meu filho foi adicionado ao grupo do sexto ano numa terça à tarde por um menino com quem ele tinha conversado umas quatro vezes. Em duas horas o grupo produziu noventa e uma mensagens, três brigas, uma enquete sobre um professor e um vídeo do cachorro de alguém que todo mundo concordou ser a melhor coisa que já aconteceu. Ele ficou no sofá lendo com aquela expressão hipnotizada de criança que acabou de descobrir que as outras pessoas existem mesmo quando ele não está na sala.

Eu senti duas coisas ao mesmo tempo, e acho que você também vai sentir. A primeira foi alegria, porque ele estava incluído, e estar incluído aos onze anos não é pouca coisa. A segunda foi um frio na barriga com todas as formas que um grupo com trinta e duas crianças e nenhum adulto pode dar errado. Nós, pais, já conhecemos bem o grupo dos pais da turma, com seus avisos de reunião, figurinhas de bom dia e discussões sobre a festa junina. O grupo das crianças é outro planeta.

Os dois sentimentos estavam certos. O que aprendi desde então, com dois filhos e mais grupos do que eu gostaria, é que o resultado depende quase totalmente do que é ensinado no primeiro mês. Não do que é proibido. Do que é ensinado. Aqui está a versão que eu queria ter recebido naquela terça.

Por que o grupo da turma importa mais do que parece

Dá vontade de ver o grupo da turma como barulho, e a maior parte do conteúdo é mesmo barulho. Mas é ali que acontece boa parte da vida social do ano letivo, e a criança que está fora perde informações que todo mundo tem: quem vai ao parquinho do condomínio no sábado, qual era de verdade a lição de casa, qual piada todo mundo está repetindo.

Ficar fora do grupo tem um custo social real, e fingir que não tem não ajuda seu filho. Esse é o ponto de partida honesto para qualquer conversa sobre entrar ou não. A pergunta quase nunca é se, é quase sempre como.

Muitas escolas têm regras próprias sobre celular no horário de aula, e vale conhecê-las e conversar com a coordenação sobre o que elas esperam dos grupos de alunos. Algumas turmas combinam regras na reunião de pais, e isso ajuda muito, porque as crianças percebem quando os adultos falam a mesma língua.

É também o primeiro lugar onde a maioria das crianças aprende coisas difíceis de explicar na teoria: que palavra escrita não tem tom de voz, que uma mensagem mandada às nove da noite continua lá de manhã e que um print existe para sempre. Aprender isso aos onze anos, entre colegas cujos pais você conhece, é a introdução mais gentil que elas vão ter.

O grupo da turma é um ensaio para o resto da internet, numa sala em que você ainda conhece os pais de todo mundo.

Se seu filho ainda não tem celular e tudo isso é teoria, a conversa que vem antes é meu filho está pronto para o primeiro celular. Se você acabou de entregar um para o novo ano letivo, como preparar o celular do seu filho para o ano letivo cobre as configurações antes de os grupos começarem a chegar.

As três regras para ensinar antes de tudo

Você pode dar quinze regras a uma criança e ela não lembra de nenhuma, ou três e ela lembra das três. Já tentei as duas coisas. Estas três cobrem quase tudo o que realmente dá errado.

  1. 1Nunca escreva nada que você não diria na cara da pessoa, com a mãe dela do lado. É um teste direto e funciona, porque criança é ótima em avaliar essa cena específica, mesmo quando ainda não sabe ler tom num texto.
  2. 2Nunca poste foto ou vídeo de outra criança sem perguntar antes. É a regra mais quebrada e a que causa o estrago mais duradouro, e vale ser firme mesmo quando a foto é bonita.
  3. 3Se um grupo está deixando você mal, silencie quietinho em vez de sair fazendo barulho. Sair com mensagem de despedida é um ato público que pede resposta. Silenciar é invisível e dá a mesma paz.

Além das três, há uma listinha do que nunca vai por escrito, e vale dizer em voz alta em vez de achar que é óbvio. Endereço de ninguém, nem o número do apartamento. Telefone de ninguém, nem o próprio, num grupo de trinta e duas pessoas. Nenhuma foto tirada em quarto, banheiro ou vestiário, nem de si nem de ninguém. Nada sobre um professor que ele não gostaria que o professor lesse, porque um dia ele vai ler.

Três frases para ensaiar em voz alta

  • Para uma foto: apaga essa, por favor, eu não gostei. Dito com clareza, sem pedir desculpa, e a criança precisa ouvir um adulto dizer isso nesse tom antes de conseguir usar.
  • Para quando todo mundo cai em cima de alguém: chega, já deu. Três palavras, sem discussão, muito mais fácil de mandar que um parágrafo.
  • Para quando perguntam algo pessoal: isso eu não vou colocar no grupo. Uma frase completa que não precisa de justificativa.

Zoeira em grupo, exclusão e as duas noites mais difíceis

Duas situações vão aparecer, e as duas doem mais no seu filho do que o conteúdo justifica. Saber como elas são antes permite reagir à coisa certa.

A zoeira em grupo é quando o grupo inteiro se vira contra uma criança, normalmente por algo bobo, e vinte pessoas entram em onze minutos. O que pesa não são as mensagens individuais, a maioria é leve, e sim o volume, a velocidade e o fato de que seu filho assiste tudo em tempo real sem conseguir parar. Se seu filho é o alvo, a primeira tarefa não é resolver. A primeira tarefa é sentar do lado dele.

  • Não diga para ele simplesmente ignorar. Ele não consegue, e o conselho mostra que você não entendeu a situação, o que fecha a porta para a próxima coisa que ele contaria.
  • Tire prints antes que algo seja apagado, com calma e juntos, para ter registro caso vire um padrão.
  • Silencie o grupo pela noite. Ele vai continuar lá amanhã, e amanhã vai estar com um quarto do barulho.
  • Pergunte o que ele quer que aconteça antes de decidir o que fazer. Às vezes ele quer que você fale com a mãe de alguém. Muitas vezes ele quer uma noite em que ninguém toque no assunto.

Ficar de fora é mais silencioso e mais difícil. Existe um grupo, seu filho não está nele e sabe disso porque alguém comentou. Não há o que printar nem a quem ligar. O que ajuda é nomear com honestidade em vez de minimizar: isso é horrível, não é justo, e não é um veredito sobre você. Depois, o lado prático: facilite encontros com os amigos que querem mesmo estar com ele, um ou dois de cada vez, longe da tela. Um sorvete na padaria, uma tarde na piscina do prédio, uma volta de bicicleta no parque. Grupos aumentam a distância social. Duas crianças e uma bola diminuem, sempre.

E existe a situação em que é o seu filho quem está entrando na zoeira, e vale se preparar agora e não num momento defensivo. O que funciona é pedir que ele leia a conversa em voz alta na manhã seguinte, na cozinha, com calma. Isso pesa muito mais do que tirar o celular.

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Notificações, e por que o celular não deve vibrar às dez da noite

Quase todo problema de grupo com que lidei piorou depois das nove da noite, e boa parte nem teria existido se o celular estivesse no silencioso e em outro cômodo. Essa é a mudança de maior valor que você pode fazer, e ela não depende de seu filho concordar com você sobre nada social.

  • Silencie o grupo da turma para sempre, não por oito horas. Um grupo com trinta e duas crianças não tem nada que precise chegar com som. Seu filho abre quando quiser.
  • Desligue a prévia das mensagens na tela de bloqueio, para uma frase maldosa não acender na mesinha de cabeceira às onze da noite.
  • Carregue o celular fora do quarto. É impopular e, na nossa casa, funcionou melhor do que qualquer controle por aplicativo que testei.
  • Programe um horário de descanso no próprio celular, para os aplicativos de mensagem não abrirem depois da hora combinada. Combinem juntos, porque a regra que a criança ajudou a criar é uma regra que ela não vai passar dois meses tentando burlar.
  • Deixe um grupo com som. O grupo da família deve continuar chegando, para ninguém precisar escolher entre um celular tranquilo e estar alcançável. Há mais sobre esse equilíbrio em contato sem tela antes do primeiro celular.

O argumento que melhor funcionou para nós não é você não é confiável, e sim: ninguém deveria ter trinta e duas pessoas capazes de fazer barulho no quarto dele. Dito assim, a maioria das crianças concorda, porque elas também estão cansadas.

Quando entrar, e quando segurar a vontade

É aqui que os pais erram para os dois lados, e eu mesma errei para os dois lados no mesmo bimestre. Entre em tudo e seu filho para de contar qualquer coisa. Não entre em nada e algo sério passa batido.

Minha regra prática é que grosseria comum é momento de orientar, e qualquer coisa repetida, direcionada ou séria é assunto de adulto. Um comentário atravessado entre amigos que já estavam bem na quinta não é caso. A mesma criança virando piada toda semana é.

  • Entre quando algo se repete por dias ou semanas, quando mira uma criança específica, quando envolve imagens de criança, quando há qualquer ameaça ou quando seu filho está com medo e não só irritado.
  • Oriente em vez de entrar quando é uma briga isolada, um mal entendido por falta de tom ou o atrito normal de um ano letivo. Pergunte o que ele acha e ajude-o a responder sozinho.
  • O caminho certo para escalar começa com uma conversa calma com os outros pais, depois com a coordenação ou a orientação da escola. Se envolver imagens íntimas de crianças ou ameaças, vá direto à escola e, se preciso, às autoridades, sem passar pelo grupo.
  • O que nunca fazer: postar você mesmo no grupo do seu filho ou mandar mensagem direto para outra criança. Isso envergonha seu filho e transforma um problema de criança num drama de adulto. Lembre também que o grupo dos pais não é lugar para expor a criança de ninguém.

E o combinado mais importante de todos: diga em voz alta ao seu filho que ele pode mostrar qualquer coisa sem que o celular seja tirado automaticamente. O medo de perder o celular é o principal motivo pelo qual as crianças ficam quietas. Se você procura uma base para a família inteira, as regras de privacidade em uma frase para famílias são um bom começo.

Onde entram o grupo da família e a localização

Quase toda família brasileira tem seu grupo da família, com tios, avós e primos, e isso é ótimo. É ali que seu filho vê o modelo contrário: poucas pessoas, tom carinhoso, ninguém contando pontos. Como fazer isso funcionar bem entre três gerações está em grupo da família no WhatsApp com três gerações.

Localização não tem nada a ver com o grupo da turma e não deve aparecer lá. Uma regra que passei para meus filhos: localização em tempo real nunca vai para grupo, só para a família, e só num aplicativo feito para isso, em que vocês veem uns aos outros e sabem quem vê o quê. O Be Closer é gratuito para baixar, está em 13 idiomas e tem nota 4,4 em mais de 150 mil avaliações na App Store e no Google Play. Mas nenhum aplicativo substitui a conversa no sofá, e é disso que este texto tratou.

As perguntas que

Portrait of Marta Osei, who writes the Kids & Teens guides for Be Closer
Marta Osei
Kids & Teens

Marta writes our Kids & Teens guides. Mother of two, professional over-preparer, firm believer that independence is a skill you practice, together first, then alone. She has road-tested every checklist in her own hallway at 7:40am.

Our guides are written by Be Closer's editorial voices and reviewed by the team behind the app. Questions? support@becloser.com

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